EXTRA

[Por Luisa Santiago – NPC] “A partir desta edição, o leitor passará a encontrar em nossas páginas uma expressão que, até então, nossos jornalistas evitavam: a guerra no Rio.” Assim começa a matéria de capa do jornal Extra desta quarta, dia 16.08.2017. E continua: “(…) tudo aquilo que foge ao padrão da normalidade civilizatória, e que só vemos no Rio, estará nas páginas da editoria de guerra”. O jornal Extra, portanto, passará a ter uma Editoria de Guerra. Que a situação da segurança pública no Rio de Janeiro é complicada, ninguém discorda. Mas para quem serve dar legitimidade ao discurso de que estamos em uma guerra, como faz o jornal ao inserir essa editoria em sua pauta? Ainda que diversos espaços da cidade – e o Jacaré é o exemplo mais recente – sofram diariamente com a violência, não podemos aceitar o argumento de que estamos em um estado de exceção onde direitos podem ser suspensos e existe um inimigo a ser eliminado, como é o caso dos territórios em guerra. Isso só serve para legitimar a violência desenfreada que o Estado, através da Polícia, impõe nas favelas e periferias da cidade e que, em nome da “guerra às drogas”, tem como consequência uma série de violações dos direitos humanos e a morte de muitas pessoas. Ao adotar o discurso da guerra, o jornal cumpre um determinado papel na disputa simbólica: o de agente “naturalizador” da violência do Estado contra a população pobre.