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“Lutar, ser pobre, preto ou LGBT no Brasil é crime”

23º Curso Anual do NPC – Cobertura do Terra Sem Males

 

Curso anual do NPC abordou a criminalização dos Movimentos Sociais

Por  Márcio Mittelbach

“Lutar, ser pobre, preto ou LGBT no Brasil é crime”. Com essa afirmação, a jornalista do Conlutas, Claudia Costa, abriu a última mesa de debates do terceiro dia, 24/11, do 23º Curso anual do NPC, que abordou um tema crucial para a luta dos trabalhadores: a criminalização das lutas sociais.

Outra palestrante que colocou a plateia para refletir foi Gizele Martins. Jornalista, pesquisadora, ativista dos movimentos populares, Gizele contou sobre sua luta diária como moradora de favela e ativista da comunicação popular. Moradora da favela da Maré, no Rio de Janeiro, onde lidera um jornal comunitário, ela falou do preconceito que sofre por morar lá. “Quando fazia entrevista de emprego eu tinha que dizer que morava em outro lugar, mas agora eu assumo meu endereço como ato político”.

A carioca alertou sobre a violência policial nos morros e favelas do Rio. “Desde 1997 foram 16 mil pessoas assassinadas basicamente pela polícia nas favelas. Um verdadeiro genocídio que parte da imprensa insiste em retratar como uma guerra”. Situação tensa e que segue preocupante. “Durante esse ano não houve uma semana sequer sem tiroteio na favela onde eu moro”.

Sobre essa relação estado-mídia, Gizele complementou que não existe nem comparação com a cobertura dada às mortes nas favelas em relação às mortes no ‘asfalto’, como são chamados os que não moram nas favelas. “A mídia comercial é apoiadora do Estado que mata. Não temos qualquer serviço do Estado e esse assunto jamais é retratado”.

O terceiro palestrante do dia foi o professor da Universidade Federal Fluminense, Kléber Mendonça. Orientador de projetos de extensão na Universidade que atuam junto com a população das favelas, Kléber ajudou a refletir sobre a violência policial contra esses moradores. “Não é que o Estado não consegue cuidar e dar segurança aos moradores das favelas, é esse o funcionamento que o Estado escolhe para lidar com os moradores”.

Velha mídia – O debate também girou em torno da cobertura nefasta que a mídia dá à luta dos trabalhadores. Para exemplificar, Claudia Costa mostrou capas dos jornais tradicionais relatando greves gerais dos anos 1990 e de 2017. Todas minimizando e desqualificando os movimentos.

Reflexão – Durante as considerações finais, Gizele propôs uma reflexão para entender porque os moradores das favelas do Rio de Janeiro não aderem aos movimentos de rua. “A população da favela está enterrando os corpos dos seus familiares. Estão vendendo água para batalhar pelo seu sustento, não têm tempo para mais nada”.

Já o professor Kléber fez uma fala final otimista, de acordo com ele, onde há poder e opressão deve haver resistência.

Por Márcio Mittelbach
Foto: Annelize Tozzeto/Revista Vírus
Terra Sem Males

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