carandiru

Por Sheila Jacob

Nesta semana, lembramos os 21 anos do Massacre do Carandiru, episódio que manchou de sangue a história do Brasil. Em 2 de outubro de 1992, 111 presos da Casa de Detenção de São Paulo foram barbaramente assassinados por policiais que invadiram o local para “conter uma rebelião”. Neste ano, 25 policiais envolvidos foram condenados a mais de 600 anos de prisão, mas ainda cabem recursos. Apesar das condenações pontuais, as autoridades envolvidas na chacina não chegaram a ser acusadas. Trata-se do governador de SP na época, Luiz Antonio Fleury, e o secretário de segurança pública Pedro Franco. O grupo de rap Racionais MC’s fez uma música em 1997 para lembrar o crime. É a Diário de um Detento, que em um de seus versos mais marcantes afirma: “O ser humano é descartável no Brasil”. Infelizmente, mais de 20 anos depois do episódio, essa continua sendo uma triste realidade no país.

Depois de Carandiru, outros massacres se seguiram: Candelária, Vigário Geral, Borel, Baixada Fluminense, os Crimes de Maio em São Paulo. E na semana em que lembramos os 21 anos do triste episódio, a Divisão de Homicídios do Rio conclui o  inquérito no qual denuncia que Amarildo de Souza foi torturado e assassinado por policiais militares da UPP da Rocinha. O desaparecimento do ajudante de pedreiro ganhou visibilidade no país inteiro e pôs em xeque a política de segurança pública do Rio. Este é apenas mais um dos tantos exemplos de como temos que avançar na garantia dos direitos humanos no Brasil.