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Notícias da mídia hegemônica são mercadorias que moldam as relações sociais

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[Por Paula Padilha – Terra Sem Males] Curso do NPC aborda surgimento das agências de notícias e da concentração da informação pelos conglomerados de mídia. Os pesquisadores de comunicação Francisco Fonseca (FGV-SP), Laurindo Leal (USP), Renata Mielli (FNDC) e Murilo Ramos (Unb) colocaram em foco o papel mídia (comercial, hegemônica, formada por oligopólios familiares) como operadoras do capitalismo para moldar seu público-alvo como cidadãos-consumidores. “A mídia assume papel especial da reprodução do capitalismo em que a notícia é mercadoria e intermedia as relações sociais”, afirmou Francisco Fonseca.

Os pesquisadores de comunicação Francisco Fonseca (FGV-SP), Laurindo Leal (USP), Renata Mielli (FNDC) e Murilo Ramos (Unb) colocaram em foco o papel mídia (comercial, hegemônica, formada por oligopólios familiares) como operadoras do capitalismo para moldar seu público-alvo como cidadãos-consumidores. “A mídia assume papel especial da reprodução do capitalismo em que a notícia é mercadoria e intermedia as relações sociais”, afirmou Francisco Fonseca.

O professor e pesquisador da FGV delineou sua fala abordando o aspecto das contradições do capitalismo, que ele situou como ultraneoliberal, em que a mídia assume e reproduz discursos liberalistas mas tem prática contraditória em que fica evidente o mito da defesa da meritocracia que se torna concentração, já que a menor regulação torna esses agentes privados das empresas de mídia mais poderosos. “As facções midiáticas atuam em conjunto. São golpistas ao não aceitarem resultado de eleições; são elitistas por não aceitarem a pluralidade e estão voltados à defesa patronal”, disse.

Fonseca também mencionou que o golpe no país foi elitista, midiático, parlamentar e judicial e destacou o uso da alcunha “República de Curitiba” no jornal Folha de S. Paulo. “Como uma operação judiciária pode ser enquadrada como república, estabelecendo essa autonomia judiciária? A mídia funciona como aparelho privado de ideologia que molda corações e mentes”, disse, referindo-se a Gramsci.

Laurindo Leal, pesquisador em comunicação da USP, reforçou que a origem da concentração dos meios de comunicação está intrínseca ao modelo de produção capitalista em que essas meios são uma empresa como qualquer outra.
Ele traçou o contexto histórico da origem mundial das agências de notícia, a partir da nova tecnologia do telégrafo, no século XIX, em que o foco era unificar informações sobre as bolsas de valores europeias de Berlim, Londres e Paris. “Formaram um tratado de Tordesilhas das agências que dividiu o mundo na produção de notícias. As notícias do Brasil eram produzidas pela agência francesa, atualmente da France Press”, explicou.

Esse ciclo foi rompido com a ascensão do capitalismo americano, que teve como ferramenta a criação de duas grandes agências de notícia no início do século XX, em defesa do “fluxo livre de informação”, que permaneceu hegemônico até os anos 1980, quando começou o processo de descolonização dos países. Surgiu a partir daí a bandeira do fluxo livre e equilibrado, com a criação de agências internacionais para a distribuição de informações do sul do mundo para o norte, com iniciativas na América Latina e na União Soviética, que se contrapõem às informações dominantes do mundo.

Com essa ameaça sulista à informação dominante, explicou Laurindo, “A comunicação passou a ser negociada como commodities na Organização Mundial do Comércio sob a lógica da acumulação capitalista”, diz. “A informação é mercadoria que não se esgota no consumo. Ela é vendida, penetra e se instala nos corações e nas mentes através da ideologia política, dos valores e dos hábitos, esse é o caráter peculiar da comunicação”. Alertando sobre o nome “mídia” ter o caráter de mediação, o professor chamou a atenção que a mediação não existe. “A mídia pauta, organiza e orienta a sociedade”.

A jornalista Renata Mielli, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e do Centro de Estudos Barão de Itararé, destacou que ao operar como aparelho hegemônico, os veículos de comunicação se expõem em seus discursos. “As pessoas estão percebendo isso”. Para exemplificar, Renata mostrou uma pesquisa da entidade Repórter Brasil, que pesquisou no período de um mês as inserções em diversas mídias hegemônicas (TV e impresso) sobre a Reforma da Previdência, em que até 90% do conteúdo (do Jornal Nacional, por exemplo), abordava de forma positiva o tema, mas isso não refletiu na opinião do público alvo, em que o índice de apoio às mudanças era menor.

Renata Mielli também expos fatores sobre os grandes conglomerados, a concentração da mídia no país e as barreiras de produção de notícias contra hegemônicas, como a distribuição de jornais impressos e o acesso a concessões públicas de rádio e TV, relacionando com as finalidades estabelecidas pela Constituição Federal. Outro assunto abordado foi a opção feita pelo Brasil na transição do analógico para digital, que reafirmou os oligopólios midiáticos.

Ela encerrou sua fala alertando sobre a utilização do facebook pelas pessoas e entidades, um espaço a ser ocupado, mas sem descartar os sites. “Não somos donos do conteúdo que publicamos no facebook e estamos produzindo conteúdos para uso do facebook como empresa, que gera outro tipo de concentração com a coleta de nossos dados, em que nos submetem a controle e vigilância”, encerrou.

O professor Murilo Ramos, da UNB, abordou historicamente a origem da internet, da TV a cabo e expos uma listagem sobre os grandes conglomerados midiáticos que atuam no mundo, em que a Globo está inserida, considerando audiência e lucratividade com renda de anúncios publicitários.

Ele citou como google e facebook subvertem a lógica da comunicação exemplificando com a produção de fake News com a criação de sites por adolescentes da Macedônia que geraram lucros publicitários pelo fluxo de acessos às notícias e que interferiram nas eleições presidenciais dos EUA a favor de Donald Trump.
Para ele, os desafios são o acesso às concessões, a proteção de dados pessoais e o custo alto da mágica da gratuidade do acesso à internet, e a irreversibilidade desse processo.

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