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Reforma trabalhista: por que os trabalhadores aceitaram calados?

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[Por Claudia Santiago] No dia 11 de julho de 2017, os senadores brasileiros confirmaram o que já havia sido decidido na Câmara dos Deputados: a CLT tinha que acabar. Cumpriu-se nessa data o que  Fernando Henrique Cardoso decretou em seu primeiro governo, iniciado em 1994. Na época, o então presidente afirmou a necessidade de pôr um fim à Era Vargas. O fim da Era Vargas era a privatização das empresas estatais. O fim da era Vargas era o fim da CLT. As privatizações foram feitas. Os direitos trabalhistas, porém, sobreviveram – aos trancos e barrancos. Mas seu fim já estava decretado.

E nesta terça-feira, 11 de julho, os senadores brasileiros deram o golpe fatal que liquidou com garantias básicas para aqueles que vivem do trabalho.

Espantosamente, os trabalhadores não reagiram. Não foram às ruas nesse dia. Assistiram a tudo calados. Por que? Primeiramente porque estão anestesiados pelos meios de comunicação especialmente a televisão. Em qualquer pesquisa rápida em um ambiente com pessoas acima dos 25 anos, constata-se que a grande maioria do povo brasileiro se informa pela televisão. Uma máquina de guerra poderosíssima que faz com que as vítimas idolatrem seus inimigos. E assim, vendedor de cachorro-quente sente-se um micro-empresário. E as empregadas domésticas, que perderam tudo o que haviam conquistado, repetem entusiasmadas o discurso escravocrata de suas patroas, também estas com a cabeça feita pela televisão. Os porteiros se salvam do tédio que é assistir o entra e sai de pessoas também assistindo televisão. Eles não perceberam que não poderiam ter se calado neste momento.

Outro dado que levou à apatia no 11 de julho foi o fato que muita gente no Brasil, hoje, nunca viu uma carteira assinada. São os trabalhadores precários. Lutar por direitos que não se conhece tornou-se muito abstrato.

E é também a geração que era criança na década de 1990 e já encontrou o mercado de trabalho muito desarranjado. Para esses, a lei só veio para regulamentar o que já existia.

Enquanto isso, a classe média  comemora. Não adianta pedir que ela volte a bater panelas porque ela não vai fazer isso. Não vai fazer porque está feliz. Feliz porque não tem mais um pobre na presidência da República, feliz porque a empregada doméstica, o porteiro, a manicure, os comerciários se ferraram e ela vai usufruir disso. É a desgraça de quem ganha salário mínimo que garante seus luxos e a faz pensar que faz parte da burguesia. Então não adianta pedir porque eles não vão bater panelas. Não vão protestar. Eles venceram.

E a nós o que adianta? Adianta não aceitar essa nova palavra moderninha, a tal de distopia. E brigar, a cada dia pelo nosso direito à utopia de uma sociedade justa e igualitária. Com cama, mesa, banho, estudo, passeios e arte, muita arte para todos os homens e mulheres do planeta. Com um jornal na mão, conversar com todo mundo, até que nenhuma criança se alimente dos restos de comida depositados por alguém nas lixeiras das cidades.

4 Comentários

  1. Grande análise, Cláudia. Reflete, muito bem, o estado de letargia das sociedades.

  2. Cheguei a lamentar o que ocorreu, tenho 62 anos e sou aposentado desde outubro 2008. fico a pensar na geração geração zero nos direitos do trabalho e também nas novas aposentadorias, daqui a alguns anos elas sentirão o quanto foi ruim ficar anestesiado por esse sistema simplesmente por que acreditaram que seria melhor assim. Só um aparte, os partidos de esquerda contribuiram pois muitos discursos de campanha só ficaram em falaçao mesmo. Educação, Saúde, segurança, moradia e transporte foi esquecido.

  3. Essa letargia deve-se, também, aos Sindicatos. A maioria deles aceitou passivamente a tudo o que os patrões se nos empurrou goela abaixo. Ficamos trinta e um dias em greve, na porta das agências bancárias e, de repente, não mais que de repente, nos vieram com a notícia de que a greve estava terminada; nós bancários/as saímos com os rabos entre as pernas e, pior, com a promessa de que nenhum movimento paredista seria encetada nesse ano de 2017. Não fomos consultados/as. Apenas nos disseram “é assim e, pronto!”. Agora, Inês é morta!

  4. Boa reflexão!

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