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Vito Giannotti: Os 1º de maio de ontem deixam lições para hoje

Por Claudia Santiago

Claudia - Qual a principal lição que os trabalhadores podem tirar da história do 1 de Maio?

Vito Giannotti - A lição do 1º de Maio é que tudo o que os trabalhadores conquistaram foi fruto da luta da classe. Através dela foram conquistadas a jornada de 8 horas, as férias, o descanso aos domingos, a previdência social, a indenização por acidente, a aposentadoria, tudo, enfim.

Claudia – Qual a origem desta luta?

Vito - A filosofia liberal não admitia que se fizessem leis para os trabalhadores. No início do processo de industrialização, século XIX, no mundo vigorava a lei do patrão.  Naquele tempo os operários trabalhavam 12, 15 e até 18 horas por dia. Não havia descanso semanal nem férias. Para o mundo do trabalho não existiam leis.Só a lei do cão. Esta a origem da luta.

 

Claudia – Qual a primeira reivindicação da classe trabalhadora?

Vito - Exatamente esta. A diminuição da jornada de trabalho foi a primeira reivindicação da classe. Exigia-se não morrer de tanto trabalhar. Outra exigência era a de não morrer de fome. Ou seja, ter um salário que permitisse viver.

Claudia – E os trabalhadores fizeram para mudar este quadro?

Vito- Lutaram muito. Muitas greves foram realizadas no século XIX. Os patrões respondiam com mortes, prisões e perseguições dos lutadores operários. <

/span>Em 1891, em Paris, trabalhadores socialistas dos países industrializados da época, reunidos no congresso da Internacional Socialista, consagraram o 1º de Maio como o dia da luta pelas 8 horas de trabalho. A partir daí manifestações passaram a ocorrer em 1º de Maio em todos os países.

Claudia – E no Brasil, também era assim?

Vito - No Brasil, a partir de 1900, todo 1º de Maio era marcado por greves, manifestações e forte repressão da polícia a serviço dos patrões. No Rio de Janeiro, no 1º de Maio de 1919, por exemplo, houve uma enorme manifestação com 60 mil trabalhadores, na Praça Mauá. Este número representava 10% da população da capital! Mas, a conquista das 8 horas só viria em 1932.

 

Claudia – Quais os primeiros registros das lutas dos trabalhadores no Brasil?

Vito - A primeira greve que eu conheço é a dos gráficos de dois jornais da capital, Rio de Janeiro, em 1858. O que achei interessante é que durante a greve , os trabalhadores criaram seu próprio jornal, O Jornal dos Tipógrafos. Esse fato me lembra de outro muito importante. Em 1919, no Brasil existiram dois jornais/jornais, isto é diários. Em São Paulo foi A Plebe, e no Recife A Hora Social. Durante mais de uma mês, os dois foram vendidos em banca e logo em seguida, o governo e os patrões mandaram a polícia invadi-los e fechá-los. Mas ficou a lição da grande importância que já os primeiros operários, no Brasil, como no resto do mundo, davam à comunicação das suas idéias.

Claudia – Na sua opinião, quais os principais desafios da classe trabalhadora hoje?

Vito - Hoje, no começo do século XXI, a classe trabalhadora do mundo todo, em sua maioria, está perdendo o que conquistou em 200 anos de lutas. Nos últimos anos, vemos o aumento do horário de trabalho em países como França, Alemanha, Itália e muitos outros. É a mesma ofensiva dos patrões no mundo inteiro. É a mesma política aplicada em qualquer país que se dobra às ordens do grande capital mundial, coordenada pelo Fundo Monetário Internacional, o FMI. No Brasil, como no resto do mundo, hoje trata-se de resistir e seguir o exemplo das gerações passadas: lutar para conquistar ou garantir os direitos já conquistados.

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