
João Cândido, em foto de 1964
Crédito: Adalberto Rocha/CPDOC JB
[Por Katia Marko] O historiador e jornalista Marco Morel participou na quinta-feira, 25/11, de uma homenagem aos 100 anos da Revolta da Chibata e a João Cândido. Marco Morel é neto do repórter Edmar Morel, autor do livro A Revolta da Chibata. O historiador apresentou uma série de fotografias históricas para resgatar a rebelião que envolveu 2.300 marinheiros em 1910 sob a liderança de João Cândido. Naquela época os marinheiros, na maioria pardos e negros, ainda apanhavam de chibata, mesmo depois da assinatura da Lei Áurea, em 1888. Muitas foram as tentativas pacíficas de acabar com a violência, mas nenhum sucesso foi obtido. Então os marujos se organizaram, e no dia 22 de novembro de 1910, tomaram os principais navios de guerra da Marinha, exigindo o fim dos castigos. O movimento foi vitorioso.
Segundo Morel, foi seu avô que pela primeira vez retratou a vida do líder da revolta, o marinheiro negro e filho de escravos João Cândido Felisberto (1880-1969). Apelidado de “Almirante Negro”, sua história inspirou a música Mestre-Sala dos Mares, de João Bosco e Aldir Blanc, composta na década de 1970. “Uma das curiosidades dessa história é que tanto o autor do livro quanto o personagem principal foram perseguidos por seus feitos. Após a vitória do movimento, o gaúcho João Cândido foi preso por um tempo, sofreu torturas e foi expulso da Marinha. Morreu aos 89 anos, pobre, trabalhando na Praça XV, no Rio de Janeiro. Edmar Morel tornou-se um dos mais famosos jornalistas brasileiros, mas depois da publicação do livro, sofreu perseguições e foi impedido de ser repórter com o advento do golpe de 1964”, contou Morel.
A homenagem foi encerrada com a música do Almirante Negro, Mestre Sala dos Mares, cantada a capela pelos bravos participantes do Curso que resistiram até o final do dia.