[Por Marina Schneider] A mesa “Comunicação e valores culturais: África, América Latina e Brasil”, realizada na tarde de quinta-feira (26/11) reuniu a historiadora Adelaide Gonçalves, a psicóloga Roseli Goffman e o filósofo, poeta e membro do MST, Ademar Bogo.

Roseli Goffman, Sheila Jacob, Ademar Bogo e Adelaide Gonçalves
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Roseli Goffman, do Conselho Federal de Psicologia, falou sobre a atuação do Conselho na área da comunicação, principalmente no que diz respeito à mobilização pelo controle social na área. “A mídia é um dos grandes componentes que influencia a formação de subjetividade. A carga de informação que recebemos diariamente é intensa, sendo a televisão um objeto chave neste processo”. A psicóloga afirmou que a cultura do consumismo e do “shopping center” é a que prevalece hoje e é disseminada pelos meios de comunicação. “Os meios de comunicação de massa omitem assuntos que interessam à transformação da sociedade”, disse, reforçando que não é possível mudar os valores culturais de quem assiste à televisão desde a infância sem que haja participação nas instâncias de controle social. Por isso advertiu: “O crime é criminalizar o marco regulatório”.
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Somos todos Severinos
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O filósofo Ademar Bogo, do MST, começou sua fala declamando a poesia Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Para ele este é um hino que traz a marca de uma cultura inversa àquela transmitida pelos meios de comunicação de massa, que é a cultura do capital. “A cultura e a comunicação não estão separadas e fazem parte desta produção histórica que somos nós”, disse. Para ele, o aprendizado comum de relações sociais não passa pela mídia e nem pelas relações do capital. Passa por fora da ordem, com povos que ousam fazer a sua própria história. Bogo lembrou o intelectual peruano José Carlos Mariátegui como um dos primeiros latino-americanos a tratar a comunicação como um processo cultural. Segundo ele, a imprensa deve ter um papel pedagógico, educativo, mas que o que a grande mídia faz é deseducar, individualizar problemas e para isso não é necessário de debate.
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Mulheres de luta
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Antes de iniciar a fala sobre o tema da mesa, a historiadora Adelaide Gonçalves comentou sobre o livro/agenda produzida pelo NPC para o ano de 2011 “Mulheres na História”. Ela destacou a importância de Nízia Floresta e Patrícia Galvão (Pagu), citadas na publicação. Em relação à África, Adelaide alertou que nossa ignorância acerca do continente é imensa, não só nas universidades e na mídia, mas também nos movimentos sociais. Ela apresentou um panorama de como o Brasil é retratado desde a época da invasão portuguesa e afirmou que, dos anos 1930 para cá, esse debate sobre os valores culturais foi adquirindo contornos mais apropriados.
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Jornalista Martin Granovsky, do Página 12, participou da mesa “A comunicação digital e a batalha hegemônica”
Foto: João Zinclar
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[Por Marina Schneider] O jornalista Martin Granovsky participou da mesa “A comunicação digital e a batalha hegemônica” no16º Curso do NPC. Granowsky é licenciado em História e jornalista. Esteve de 1987 a 2005 no jornal argentino Página/12, onde foi desde redator até o cargo de subeditor. De 2005 a 2009, presidiu a Agência Nacional de Notícias da Argentina (Telam). Hoje está de volta ao Página/12 como colunista, tem um programa de rádio e estreia em breve a apresentação de um programa de televisão.