Um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas tem sido o WikiLeaks (www.wikileaks.ch ), uma página na internet que tem tornado públicos milhares de documentos secretos da diplomacia norte-americana. Seu fundador, o australiano Julian Assange, foi preso pela polícia britânica no dia 7 de dezembro, com base em um mandado internacional de prisão emitido pela Suécia. A acusação foi a de que ele teria cometido crimes sexuais, a qual ele nega e atribui motivações políticas. Assange já saiu da prisão e está em liberdade condicional sob pagamento de fiança. Logo após ser libertado, ele concedeu uma entrevista coletiva em que garantiu continuar a divulgação dos documentos sigilosos.
A maioria dos telegramas e memorandos vazados da embaixada e consulados norte-americanos mostram que os Estados Unidos vêm mantendo uma rede internacional de espionagem diplomática. Até agora os materiais relacionados ao Brasil já mostraram, por exemplo, que o ministro da Defesa Nelson Jobim passava informações ao embaixador dos Estados Unidos, com críticas ao Itamaraty e à política externa do Governo Lula. Também vimos que, ao contrário do que disse em campanha, o candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, se reuniu com multinacionais do petróleo e prometeu reverter o modelo de exploração do pré-sal para entregá-lo a empresas estrangeiras.
De acordo ainda com um telegrama diplomático da embaixada estadunidense, o jornalista William Waack, apresentador do Jornal da Globo, foi um dos consultados pela representação dos EUA sobre as eleições no Brasil. Ele teria afirmado que a campanha de Dilma Rousseff não teria êxito. Outro documento mostra que em 2008 o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e os movimentos sociais foram identificados pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, como obstáculos à criação de uma lei antiterrorismo no Brasil. Para o coordenador nacional do movimento, João Pedro Stédile, isso mostra “como o governo dos EUA continua tratando os países da América Latina como meras colônias que devem obedecer e serem orientadas”, disse em entrevista para o OperaMundi.