Nessa última semana duas comunidades localizadas na Zona Oeste do município do Rio foram atacadas por forças policiais. Ambas são ameaçadas de remoção pela Odebrecht e pela Prefeitura para a construção da via Transoeste, que ligará a Barra ao restante da Zona Oeste. A primeira foi a Vila Harmonia, onde funcionários da Subprefeitura da Barra comandaram uma equipe de Guardas Municipais e peões da Secretaria Municipal de Obras em mais um ataque contra famílias. Eles chegaram a dar ordens para a retroescavadeira da Odebrecht avançar contra os moradores que questionavam os métodos e os procedimentos dos agentes. A comunidade foi salva pela chegada de um Oficial de Justiça que trazia a liminar conseguida junto ao Tribunal de Justiça do Rio pelos Defensores Públicos do Núcleo de Terras e Habitação. Como a liminar era restrita a algumas famílias, os funcionários da Prefeitura tentaram destruir mais uma residência, igualmente com moradores em horário de trabalho e que não aceitaram as propostas ultrajantes da Secretaria Municipal de Habitação.
Já no dia seguinte, 17 de dezembro, a força policial e tratores estiveram na Restinga, também colocando abaixo várias lojas e imóveis devido à queda de uma liminar que impedia a demolição das casas. Os guardas municipais fizeram um cordão para impedir a entrada dos moradores em suas residências, e até mesmo a defensora pública Marília Farias, do Núcleo de Terras e Habitação, foi proibida de conversar com as famílias e de tentar algum acordo com o poder público.
O historiador Guilherme Marques relaciona esses acontecimentos aos megaeventos que ocorrerão no Rio, como a Copa e as Olimpíadas. “A realização desses megaeventos está hoje associada ao modelo de empresariamento urbano. Segundo esse modelo, as cidades devem competir entre si para atrair capitais. E para isso devem criar condições excepcionalmente favoráveis para esses capitais terem altos lucros”, afirma em artigo enviado ao BoletimNPC. Para atingir esse objetivo, segundo ele, são promovidas diariamente as mais profundas violações dos direitos de moradia e humanos relacionadas às remoções, despejos e demolições.
                                                              [Com informações da Rede Contra a Violência]