“1. A questão não é apenas midiática – “demos uma entortada nos neoliberais nos campos político-eleitoral e até econômico”, mas continuamos apanhando de chinelo no

cultural-educacional;

 

2. O “modelo norte-americano” – posso chamar de sociedade de consumo de

massas? – que estamos desenvolvendo –  está gerando, entre outros sub-produtos, um “ódio mortal” dos “brancos”, “paulistas”, contra os pretos, nordestinos, “mulheres”, enfim, contra todos aqueles e aquelas que sempre apitaram pouco ou quase nada, nos jogos políticos e econômico do país.

 

3. (…) ao movimento sindical cabe enfrentar os patrões e o governo, este se e quando precisar, nas obras do PAC e também fora dela, além de cuidar do avanço na formação política e ideológica de toda a classe trabalhadora brasileira, que não pode ser restringida aos metalúrgicos, bancários, professores e mais alguns setores do funcionalismo público. Idem em relação aos setores mais progressistas da Igreja Católica, que andam encolhidos/sumidos, enquanto a direita da mesma cada vez avança mais, via Opus Dei, Canção Nova e que tais.

 

Do lado governamental, vou dar um exemplo de “erro estratégico” que ele vem cometendo no campo tratado por você: ao cuidar da expansão do ensino público de nível superior no país – medida excelente – o Governo Lula o fez apenas pensando no desenvolvimento econômico; daí, optou por “especializações regionais”, investindo, em cada região, nas suas “vocações”. Sendo assim, São José dos Campos, por exemplo, onde moro, onde sempre se respirou apenas

tecnologia e pensamento conservador – militar e religioso – vem recebendo mais cursos e centros tecnológicos, que a Embraer agradece e são importantes para o conjunto do país, é claro, enquanto isso, no entanto, não temos uma universidade pública no Vale do Paraíba formando professores e cientistas sociais, além de geógrafos e planejadores regionais, etc, com capacidade e interesse em fazer, no nível local, o debate que você aponta e o país

precisa.

 

 É preciso investir, é claro, na formação universitária, pública e de qualidade, voltada para as

ciências humanas, para o pensamento do desenvolvimento regional e para a formação de educadores de verdade e não, como acontece aqui em São José dos Campos, a “ideologia” que orienta a Rede Municipal é a do “empreendedorismo”. Depois não sabem explicar por que as nossas crianças e adolescentes estão crescendo com uns procurando pisar na garganta dos

outros.