Relato de 1º de agosto de Hanady Salman, editora do jornal libanês Al-Safir

Eu não sei se qualquer um de vocês que são repórteres já cobriram guerras em seus próprios países, mas é realmente estranho, de alguma forma engraçado. Editores que choram enquanto lêem a história de seus repórteres, fotógrafos que não suportam o que vêem, colegas ligando a seus filhos no meio da noite depois de ver fotos do sul, sons estranhos durante os encontros editoriais (você sabe que homens gostam de esconder suas lágrimas e emoções), mulheres usando preto como um reflexo natural, homens criando barbas, nem nosso publisher usa terno mais.

Pessoas estão dormindo aqui, em algum lugar do porão. Mulheres dormem em apartamentos mobiliados nos arredores. De manhã, nós não nos cumprimentamos mais; nós apenas nos olhamos fundo nos olhos. Alguns viram as caras, alguns dão sermão sobre a necessidade de ser forte. Nós tocamos um ao outro bastante. Abraços aqui, agarrar de mãos ali, um mero tapa no ombro … você imagine.  

Pessoas ficam uma perto da outra. Ninguém gosta de ficar sozinho no escritório. Nós pedimos comida e comemos juntos. Mas nós nunca falamos de qualquer coisa referente ao que está acontecendo. Nós assistimos às notícias juntos, choramos, rimos, mas não dizemos nada e aí voltamos ao trabalho.

Se alguém sai, a única pergunta que faço quando volta é quantas palavras e quando terminará o texto. Sem detalhes, ninguém quer dizer o que vê. Nós escrevemos chorando, lemos e choramos, mas nunca conversamos sobre isso.

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