“ Quando meu filho apareceu em casa com o primeiro tiro no peito, comecei a pagar o caixão. Não queria ter de pedir esmola pra enterrar meu menino como vejo tantas mães por aí. No dia em que ele foi morto pela polícia, eu estava com duas prestações atrasadas. O pai dele tinha ganhado um dinheirinho fazendo pão, e eu mandei o irmão dele pagar o carnê de manhã bem cedo. Meu filho pôde morrer honestamente. Agora me preparo pra enterrar o próximo.”
Enilda Rodrigues da Silva, cujo filho foi morto em dezembro, aos 20 anos – Revista Época – 31/07/2006