Duas dicas teatrais que realmente merecem ser conferidas. No Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, está a Companhia do Latão com o “O Círculo de Giz Caucasiano”, texto de Bertolt Brecht. A montagem homenageia os 50 anos de morte de Brecht. A direção é de Sérgio de Carvalho. Os atores do grupo há anos se aprofundam na obra do dramaturgo alemão.
O texto foi escrito durante o exílio de Brecht nos EUA entre 1944 e 1945 e retrata, segundo a Assessoria de Imprensa do CCBB, a Alemanha do final da II Guerra Mundial, onde o clima de desespero e desolação recai nas relações do povo, que começa a indagar sobre o seu futuro e suas perspectivas.
A Companhia Ensaio Aberto está no Teatro de Arena do Espaço Caixa Cultural com a peça “Olga Benário – um breve futuro”. Dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo.
“Para se ter uma visão completa e real da História é preciso sempre revelar os dossiês dos derrotados, dos oprimidos, sem os quais não se realiza o “tikun olám” (expressão recolhida do misticismo hebreu pelo filósofo marxista Walter Benjamin, que significa “restauração do mundo”). É com esses conceitos em mente que o diretor Luiz Fernando Lobo — 14 anos à frente da Companhia Ensaio Aberto — reconstruiu a história da militante comunista Olga Benário, judia alemã entregue por Getúlio Vargas aos nazistas, na peça “Olga Benário, um breve futuro”.
O texto é formado por trechos de cartas, depoimentos, documentos, fichas políticas, relatórios — muitos inéditos ou pouco conhecidos — organizados numa montagem multimídia em que os atores ora lêem, ora contracenam com as vozes, a música e as imagens projetadas em três telas transparentes. Cria-se um painel polifônico (analogia com o conceito musical que descreve o uso simultâneo de vozes melódicas independentes) que, segundo Lobo, do ponto de vista teatral tem um cunho marxista intrínseco.
Tome nota: CCBB: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Caixa Cultural: Av. Almirante Barroso, 25, esquina com Av. Rio Branco