O fenômeno é conhecido há algum tempo. Ano a ano, crescem os lares com aparelhos de televisão no Brasil. Pode-se ir à comunidade mais pobre. Sempre será possível ver antenas de televisão instaladas em barracos e residências pobres. Não poderia ser diferente na última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), feita pelo IBGE em 2005 e recentemente divulgada. O porcentual de domicílios com geladeiras era de pouco mais de 88%, ano passado. Mas, o aparelho de televisão estava em 92% das casas brasileiras.

Há muito tempo, as transmissões feitas pela telinha fazem parte da cesta-básica de milhões de brasileiras e brasileiros. Já tornou-se um bem essencial. Infelizmente, ele vem sendo também um pilar da dominação capitalista. Impõe padrões, estimula um consumo geralmente impossível para a grande maioria. Espalha preconceitos e ilusões, esconde, distorce e mostra os fatos como e quando quer. Afinal, de concessão pública, a transmissão de imagens tornou-se prisioneira de monopólios intocáveis. 

E aí vem o celular. Segundo a mesma pesquisa, o número de casas com telefone celular ultrapassou o porcentual das que tinham telefone fixo. São, agora, 48%, com aparelhos convencionais contra 59% com linhas móveis. E a transmissão de conteúdo por celular também vem aí. Mais um poderoso reprodutor da ideologia dominante quer seu lugar na cesta básica da população brasileira.

Dar conta desses desafios é uma tarefa enorme para a comunicação popular.

Por Sérgio Domingues