Terra Magazine – (8.11.2006). Fidel quer que o olhar do menino Raysel Sosa repouse sobre a ilha. Para isso, o governante cubano lhe deu de presente uma máquina fotográfica Nikon. Poucos dias antes, a empresa japonesa fabricante da máquina tentou impedir que o registro fotográfico de Rayel fosse feito pelas lentes orientais. 

Rayel foi ganhador da América Latina e Caribe no 15º Concurso Internacional Infantil das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, evento que contou com apoio da Nikon. O menino de 13 anos deixou a ilha – privilégio para poucos cubanos – juntamente com seu professor Jorge González, e foi para a Argélia para ser premiado, com todas as despesas pagas pelo governo de Cuba.

Subiu no palco juntamente com mais três garotos, dos EUA, África e Europa. Todos ganharam camiseta e estojo com materiais de desenho. A Nikon também quis premiar os jovens talentos com uma câmera fotográfica de grande qualidade. Não hesitou em dar o presente para todos os premiados, exceto Rayel.

A justificativa da empresa é de que suas câmeras contém componentes norte-americanos. Dar a câmera para Rayel significaria romper o bloqueio econômico dos EUA à ilha. Para não furar o embargo, que tem quase o triplo da idade do menino, mais que 45 anos, a Nikon deixou Rayel de mãos abanando na frente dos seus colegas de outros países.

A história pegou mal para a Nikon. O governo cubano considera que o menino foi humilhado por conta de uma herança de ódio que recai sobre seus ombros e que ele ainda mal pode compreender. Fidel Castro mandou o vice-ministro da saúde ir à escola onde Rayel cursa a sétima série, na cidade de La Lisa, entregar o presente. O garoto já tirou várias fotos da natureza da ilha.