Segundo o “New York Times”, o anúncio da prisão de Saddam Hussein seguiu um “plano cuidadoso de relações públicas”. Tinha até manual, com o título “HVT nº 1” -alvo de alto valor nº 1. As imagens do ditador com os cabelos sendo remexidos em busca de piolhos ou com a língua para fora foram resultado de “escolha cuidadosa”. O que veio a seguir foi só a colheita do planejamento bem realizado. Para Aaron Brown, âncora da CNN, “desde a queda da estátua não tínhamos imagens tão dramáticas”. O âncora da NBC, Tom Brokaw, falou em “rato preso num buraco”. CNN e Fox News entraram logo no buraco. Mas não era o público americano ou ocidental o maior alvo. O objetivo era não deixar dúvidas à audiência muçulmana. E assim foi. Da Globo:
– As imagens trouxeram alívio, mas também chocaram o mundo árabe. Muitos consideraram um desrespeito.
O site da Al Jazeera detalhou o choque, na expressão de um escritor egípcio: – Eu me senti humilhado. Cortando sua barba, um símbolo de virilidade no mundo árabe, os americanos cometeram um ato que simboliza a humilhação na nossa região.
Um iraquiano acrescentou que as cenas forçam “os árabes a encarar sua impotência”.
Não queria outra coisa o tal manual. E vem aí o julgamento, que, de acordo com integrantes do conselho do Iraque, terá transmissão pela TV.

(Por Nelson de Sá, editor do cadero Ilustrada da FSP)