[Brasil de Fato-RJ] O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) realizou no Rio de Janeiro uma exibição especial do filme O Evangelho da Revolução como parte da programação da 31ª edição de seu curso anual, este ano com o tema “Comunicação e mobilização da classe trabalhadora”. O documentário de autoria de François-Xavier Drouet narra a trajetória da Teologia da Libertação em três países da América Latina: Brasil, México e Nicarágua. Corrente da igreja católica nascida em países que viviam sob ditaduras, a TL defende uma igreja solidária aos pobres e que auxilie na busca da transformação das condições de vida. | Continue lendo. 

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“O documentário relata a participação de religiosos nas lutas contra regimes militares na América Latina, sem deixar de explorar os conflitos internos dentro da própria hierarquia da Igreja Católica, no período”, contou a coordenadora do NPC e do curso, Cláudia Santiago, ao Brasil de Fato.

Os membros da Teologia da Libertação foram responsáveis pela criação das Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), espaços que serviram para articulação de muitas lutas e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Ao longo de quase duas horas de documentário, há inúmeras entrevistas e depoimentos que narram a importância da atuação dos padres na conscientização da população para que antes de salvarem suas almas, era preciso salvar seu corpo da miséria e das más condições de vida. Eles foram fundamentais na luta pelo acesso à terra, o combate às ditaduras e em processos revolucionários como o ocorrido na Nicarágua.

Entre os entrevistados estão os teólogos Frei Beto e Leonardo Boff. Além de defenderem a posição adotada, eles narram momentos de perseguição e pouca aceitação do Vaticano. Um dos exemplos mais assustadores dessa perseguição foi o lema criado por militares de El Salvador na década de 1970: “Seja patriota, mate um padre”.

Já o pouco apreço do Vaticano por esta corrente fica evidente na passagem do papa João Paulo II pela Nicarágua é um dos pontos altos do filme e exibe a clara insatisfação do pontífice com o movimento sandinista e a atuação dos membros da TL naquele país. No entanto, o filme não deixa de fazer críticas ao atual presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

O filme mostra ainda o pouco espaço que a corrente tem hoje e o padre Júlio Lancelotti é colocado como um dos seus poucos representantes atuais, que cedeu espaço para a expansão das igrejas evangélicas.