Greve histórica do trabalhadores do setor petrolífero em dezembro de 2025 é exemplo dessa importância
[Por Johnny Souza/Sindipetro NF – publicado no Brasil de Fato RJ] Em um cenário de constantes ataques a direitos históricos da classe trabalhadora – como precarização dos serviços, jornadas excessivas, assédios e baixa renda, a representação sindical continua sendo um pilar essencial para garantir dignidade, segurança e justiça nas relações de trabalho. Existe para defender direitos, interesses, mediar possíveis conflitos e, principalmente, melhorar condições de trabalho e renda. O ponto central dessa luta: nenhum avanço é conquistado individualmente, mas sim pela força coletiva unida e organizada.
O exemplo do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) é emblemático. Ao longo de sua trajetória, há 30 anos, o sindicato mostrou que a presença ativa, combativa e responsável da entidade sindical é fundamental para enfrentar retrocessos, dialogar com a sociedade e pressionar patrões, empresas e governos a respeitarem os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Essa atuação firme não nasce do improviso, mas da organização de base, da escuta da categoria, do respeito às decisões majoritárias de assembleia e da disposição permanente para o enfrentamento, quando necessário.
A força do movimento sindical está justamente na capacidade de mobilização e na união. A greve, muitas vezes criminalizada por setores que se beneficiam da precarização do trabalho, é um instrumento legal, legítimo e necessário. Um direito fundamental garantido pela Constituição Federal. Ela não representa o fim do diálogo, mas, ao contrário, surge quando o diálogo é ignorado ou não avança.
Greves históricas no setor petrolífero, como a recente mobilização da categoria realizada em dezembro de 2025, demonstram que direitos só foram e serão preservados e ampliados porque trabalhadores se uniram e disseram “basta”. Foram 16 dias de paralisação que garantiram avanços e conquistas importantes para os três eixos de campanha reivindicatória dos petroleiros: o Acordo Coletivo de Trabalho, o fim dos PEDs (Planos de Equacionamento de Déficit) e a pauta pelo Brasil Soberano.
Negociação e respeito caminham juntos. Não há negociação verdadeira quando uma das partes tenta impor perdas, não reconhece os direitos legítimos, retira ou nega benefícios ou desconsidera a voz dos trabalhadores e trabalhadoras. O movimento sindical responsável busca o equilíbrio: negociação firme, baseada em dados e números, respeito mútuo e, acima de tudo, compromisso com uma vida digna e com o futuro da categoria.
Defender os sindicatos é defender a democracia no mundo do trabalho. Enfraquecer a organização sindical significa abrir espaço para relações desiguais, inseguras e injustas. Por isso, o exemplo do Sindipetro-NF e da Federação Única dos Petroleiros (FUP) mostra que a luta coletiva segue viva, necessária e atual. Onde há sindicato forte, há trabalhador respeitado — e isso interessa não apenas à categoria, mas à sociedade como um todo.
Johnny Souza é coordenador do Departamento de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF).
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.
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Editado por: Juliana Passos