[Por Radis/Fiocruz] Na cidade de Barbacena, em Minas Gerais, os internos de um hospital de custódia permanecem trancados nas celas durante todo o dia. Sua circulação só é permitida com a tutela de um policial. Eles dependem dos agentes penais para as tarefas mais básicas de um ser humano, como encher as garrafas PET de água nos bebedouros que ficam nos corredores. Contudo, já houve relatos de que tiveram de recorrer à torneira do banheiro para saciar a sede. A “injeção SOS” [medicação sedativa] é empregada com frequência, mesmo na ausência de sinais de agressividade — para “evitar que piore”. Alguns prontuários falam em indicação de eletroconvulsoterapia (ECT), o chamado eletrochoque, para o tratamento dos sintomas psicóticos, e recomendam que a internação aconteça “ad eternum”, ou seja, por toda a vida.
Essa descrição pode parecer saída de um livro ou filme sobre a história dos hospícios, mostrando os horrores que ficaram no passado. Ledo engano. Trata-se da realidade atual de um dos manicômios judiciários existentes no país — ou hospitais de custódia, como também são chamados: no caso específico, do Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz (HPJJV), em Barbacena, cidade mineira conhecida pelas histórias de maus tratos e desumanização no tratamento da loucura. Tais apontamentos estão presentes no Relatório de Inspeção Nacional a essas instituições, publicado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 2025. | Saiba mais.