Frei Sérgio Görgen | Crédito: Marcos Corbari/BdFRS
Morreu na terça-feira (3), no Rio Grande do Sul, Frei Sérgio Görgen, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e militante histórico da luta camponesa, em decorrência de um infarto. Ele havia completado 70 anos no último dia 29.
“Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o ‘cheiro das ovelhas’ e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo”, comunicou, em nota, o movimento que ajudou a fundar.
O Núcleo Piratininga de Comunicação amigo de luta do MPA se une à dor dos companheiros que perdem um militante que “ não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, como diz nota do MPA.
Sentimos muto e seguimos juntos, MPA.
Trecho da nota: “Frei Sérgio utilizou seu próprio corpo como ferramenta de denúncia através de cinco greves de fome, destacando-se as lutas por crédito agrícola nos anos 90, a resistência contra a Reforma da Previdência em 2017 e a jornada pela democracia em 2018, em frente ao STF. Como sobrevivente e cronista do Massacre da Fazenda Santa Elmira (1989), ele assumiu a missão de não deixar a história ser escrita apenas pelos vencedores. Através de obras como “Trincheiras da Resistência Camponesa” e “A Gente Não Quer Só Comida”, ele teorizou e defendeu a agricultura camponesa como um verdadeiro projeto de vida.