Por Claudia Santiago.
“Gato escaldado tem medo de água fria”, diz a minha avó. E quem viu a edição que o Jornal Nacional fez do debate Lula X Collor, em 1989; quem acompanha diariamente a cobertura que os jornais fazem dos conflitos envolvendo os camelôs e a Guarda Municipal; quem estudou a cobertura tendenciosa ou a falta de cobertura que os principais veículos de comunicação do país deram às edições do Fórum Social Mundial. Ou ainda quem já era grandinho, em 1982, e foi testemunha da participação da Rede Globo na tentativa frustrada de fraude para impedir a eleição de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro.
Continuando a lista. Quem viu a omissão da mesma Rede Globo de cobrir qualquer evento relacionada às Diretas Já, até as vésperas da votação. O ponto alto foi a decisão da emissora de noticiar um comício pela aprovação de emenda como se fosse uma comemoração pelos 300 anos da cidade de São Paulo.
Quem se indignou com as capas de uma determinada revista semanal contra o MST e contra a esquerda. Quem está acostumado a ver a manipulação na forma como são tratados os moradores de rua ou jovens ambulantes, como os jovens engraxates do Galeão, é como gato escaldado. Tem medo da mídia.
Não podemos esperar isenção e imparcialidade. Os donos de jornais têm interesses políticos e econômicos. E é isso que determina a cobertura.
Como entendemos que as pessoas têm o direito de serem informadas corretamente, nós, movimento social, devemos:
1. Denunciar qualquer tentativa de manipulação. Para isso podemos nos valer da imprensa alternativa, sindical e popular, Internet e telefone celular. Os partidários de Hugo Chavez usaram o celular para se mobilizar contra o golpe midiático que pretendia depor o presidente. A candidata do PCdoB do Rio de Janeiro foi atacada na véspera da eleição por mensagens transmitidas por telefone celular.
2. Produzir material próprio _ folhetos, boletins, bambus – e dizer para a população qual é a nossa versão dos fatos.