Por Claudia Santiago. No dia 1º de janeiro de 2007, o jornal mais antigo do mundo, o sueco Post-Och Inrikes Tidningar, começou a produzir apenas sua versão on-line. Especializado em assuntos empresariais, o periódico era publicado todos os dias desde 1645. É nesse país que, com a formação do capitalismo, nascerão, nos séculos seguintes grandes empresas como a Electrolux, a Scania Vabis, a ABB, a Volvo, a Sandvik, a Veracel Celulose, a Ericsson, a SKF Rolamentos e tantas outras. E junto com o capitalismo nasceram os jornais para um público seleto.

Esta mudança do jornal sueco, nos mostra a Internet avançando e selecionando ainda mais o público. Disponibiliza riquezas culturais enormes para um público seleto, enquanto quatro bilhões de seres humanos vivem abaixo, ou em torno da chamada linha da pobreza. 

Em 1645 milhões de europeus sobreviviam à fome e às guerras. Ao mesmo tempo, nascia o primeiro jornal do mundo. Hoje a Internet oferece todos os tesouros da riqueza cultural mundial para uma parcela da população. Para os outros, a sociedade capitalista oferece a falta total de letras. No máximo, um tipo de Rede Globo para cada país, com seu Jornal Nacional, seu Fantástico e seu Big Brother.

Pelo neoliberalismo atual, os outros são “o resto!”. Estão sobrando. O que fazer com eles? Que desapareçam, se possível. Ou afogados pelo efeito estufa, ou pulverizados por uma bombinha atômica, ou desaparecidos pela aids ou gripe aviária. Ou, simplesmente, que morram de fome. O importante é que sumam do mapa.