SP, Boitempo, 2003. Jack London foi um militante socialista norte-americano. Oriundo de família muito modesta, teve vida aventurosa, tendo obtido bastante repercussão com sua obra literária. Vale ressaltar, aliás, que London tem diversos livros sobre animais – numa espécie de ecologia, antes que virasse moda – que denunciam a violência humana sobre os animais. Mostra muito agudamente como sofrem os animais com os desatinos sociais que desumanizam os homens…
Saiu do Partido Socialista em 1916, por sua “falta de ênfase na luta de classes”. O livro O tacão de ferro foi publicado em 1908, pela Editora Macmillan. Em 1937, Leon Trotsky fez um longo comentário sobre o livro, numa carta enviada a Joan London (filha de Jack), que em 1945 converteu-se em artigo publicado no New Internacional, e que figura como posfácio na edição brasileira. Trostky se espanta com a sagacidade da visão política de London, lembrando que o “romancista de 31 anos de idade enxergou muito mais claro e mais longe do que todos os líderes socialdemocratas daquela época juntos. Mas não estamos falando apenas dos reformistas: pode-se dizer com segurança que em 1907 nenhum dos marxistas revolucionários, nem mesmo Lênin e Rosa Luxemburgo imaginaram de maneira tão completa a ameaçadora perspectiva da aliança entre o capital financeiro e a aristocracia trabalhista. Isso basta para determinar o peso específico desse romance.” (p. 262-3).