As manchetes dos jornais de ontem (10.02) davam raiva.
O cara que arrastou a criança é transformado em monstro e suscita o debate sobre o endurecimento das penas. Ao mesmo tempo, os presos avisam que o cara tá jurado de morte na prisão. Duas perguntas não querem calar:
1. Em que pena mais dura que a morte eles podem estar pensando?
2. Ninguém se pergunta o que significa serem os demais “monstros” do noticiário cotidiano nossos “justiceiros”?
Tá bom, tem a burguesia, a sociedade capitalista e o c. a quatro pra gente culpar. Mas eu aqui, do meu ponto vista talvez limitado, me pergunto se a mídia precisa mesmo ser tão burra de só trabalhar na frequência da mais pura irracionalidade. Se um outro jornalismo um pouco menos brutal, um pouco menos imediatista e menos apoiado nos impulsos humanos mais primitivos não seria possível, mesmo na sociedade capitalista. E só não me animo a escrever mais porque ainda estou com muita raiva e não pretendo falar no mesmo tom que eles.
[Por Ana Lúcia Vaz, professora de jornalismo – 11.02.2007]