
O livro “Trabalho e Cidadania: produção e direitos na era da globalização”, do professor da UFRJ Giuseppe Cocco, enfrenta corajosamente a complexa conjuntura de transição do mundo contemporâneo: ancorado na herança da Modernidade, ele se dispõe a combater as falácias da pós-modernidade sem renunciar à incorporação do que lhe parece ser a travessia para uma nova idade sociocultural. Recusando a ideologia do “fim da história”, busca – com inegável rigor – desvendar a negação da factualidade presente que estaria contida em antagonismos sociais menos visíveis e epidérmicos.
Ao longo das páginas, Giuseppe Cocco vai tecendo uma crítica da ordem estabelecida em que esses vetores articulam uma perspectiva de análise discretamente inclusiva: o mote do pós-fordismo propicia-lhe uma revisitação original do Estado de bem-estar social e seus suportes (econômico-políticos), permite-lhe um questionário pertinente da teologia social e da cultura própria do segundo pós-guerra, dá-lhe a oportunidade para retematizar o conservadorismo que se oculta (?) no neoliberalismo e abre-lhe a alternativa para argüir as metamorfoses da topologia urbana. E tudo isso no âmbito de uma posição de esquerda que reivindica insistentemente o estandarte libertário e emancipatório.
Giuseppe Mario Cocco, italiano com cidadania francesa, é cientista político. Doutorou-se