[Por Renata Souza] Domingo ensolarado, 1º de abril, no Rio de Janeiro. Onde estavam os jovens, às 9 da manhã? Discutindo ditadura militar no cinema Odeon Br. Não é piada de primeiro de abril! Aproximadamente, 400 jovens de pré-vestibulares comunitários assistiram ao filme “Á margem do Concreto” e encararam um debate sobre o Golpe Militar, que completam, nesta data, 43 anos, até às 14h. Está sessão deu início ao projeto “Domingo é dia de cinema”, que ocorre há 8 anos. Na mesa de discussão, após o documentário, o professor de História e deputado estadual, Marcelo Freixo (PSOL-RJ), fez um retrato das conseqüências sociais impostas pelos Atos Institucionais da época e traçou um paralelo entre a ditadura e os dias atuais. “Na época do Golpe, os inimigos públicos eram os subversivos e a esquerda. Hoje o inimigo é o favelado, por ser pobre e negro. E a tortura ainda é a principal arma do Estado nos presídios e favelas”, afirmou.  

O debate com os pré-vestibulandos não se restringiu ao tema ditadura militar.  O público ávido por soluções, para uma sociedade mais justa, questionou se a saída seria a luta armada. “Sou defensor dos Direitos Humanos e acho que não será com armas em punho que mudaremos a atual situação da sociedade”, disse Freixo. Vito Giannotti fez coro: “não podemos lutar por direitos com mais violência. Essa é uma discussão que me recuso a fazer, pois a luta armada não dá em nada”, afirmou.  

Caveirão

No Odeon foi exposta uma faixa com os seguintes dizeres: “Nem remoção e nem caveirão! Favela é cidade!”, feita pela Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, uma das entidades que promove a Campanha Contra o Caveirão. Segundo a representante do movimento, Isabel Mansur, a Campanha utiliza o veículo blindado, empregado no regime de apharteid na África, como um dos símbolos mais ilustrativo da política de (in) segurança pública promovida pelo Estado.  “O carro blindado que percorre as favelas com a polícia militar é só um símbolo. Nós somos contra ao uso que é feito do caveirão e a política de segurança que é extremamente nociva aos direitos humanos”, disse. No evento, foram distribuídos postais, com o caveirão impresso, que serão encaminhados ao governador Sérgio Cabral. Durante sua campanha eleitoral, em 2006, Cabral se posicionou contra a utilização do carro blindado.  

Domingo é Dia de Cinema

Com o mote de cinema educacional foi criado, em 2000, através do programa do Grupo Estação, Oficina Cine-Escola, o projeto cultural “Domingo é dia de cinema”. Em parceria com o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e Pré-vestibulares Comunitários, o projeto pretende ser uma complementação curricular. Para isso, são exibidos filmes e documentários, seguidos de debates com especialistas e professores, para alunos de cursos pré-vestibulares comunitários do Rio de Janeiro. As sessões são realizadas mensalmente pela manhã, a preços populares, no Odeon BR.