[Por Claudia Santiago] A repórter Cynara Menezes, de Salvador, fez para Carta Capital uma reportagem sobre protestos na cidade contra a execução de jovens negros. Em trecho da matéria, Cynara diz:” Revoltados com a morte de quatro jovens no espaço de apenas 12 dias, fizeram piquetes, fecharam ruas e chegaram a atear fogo em um ônibus em vários protestos, exigindo Justiça contra os policiais acusados de terem cometido os crimes. Em comum, os jovens têm o fato de serem oriundos de comunidades carentes, não terem passagem pela polícia e serem negros.
(…) Em 2006, 76 pessoas foram mortas em ações policiais em Salvador, e o número pode ser superior neste ano. Só nos primeiros 20 dias de janeiro foram 12 os mortos pela polícia na capital. Os policiais alegam que as vítimas “resistiram à prisão”. As mortes dos quatro jovens foram justificadas como resultado de troca de tiros com a polícia, embora nenhum deles, de acordo com os familiares, tivesse qualquer ligação com o crime ou possuísse armas de fogo.”
A revolta da periferia contra o assassinato da sua juventude nem é novidade. Com isso não quero dizer que não mereça ser manchete de jornal. Mas, aqui, pretendo ressaltar o tratamento dado pela revista ao fato: uma revolta popular legítima, um fato social; e não associação com o tráfico de drogas, como muitos pretendem fazer crer.