Uma das rádios livres mais tradicionais do país foi fechada pela Polícia Federal. Por volta das 5h da manhã do dia 19 de fevereiro, às vésperas do carnaval, doze policiais apreenderam os equipamentos da Rádio Muda (105,7 MHz). A emissora funcionava na caixa d’água da Praça Central da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desde 1992. Ninguém foi preso. A ação fez parte da “Operação Silêncio”, pela qual outras oito rádios comunitárias foram fechadas na cidade desde o início de fevereiro. Participavam da programação cerca de cem pessoas – estudantes, funcionários da universidade e pessoas da comunidade em geral.
“A rádio é uma forma de questionamento, de busca da democratização dos meios de comunicação”, afirma Carolina Filho, coordenadora do DCE da Unicamp. Em 2001 e
A PF cumpriu no total 31 mandados de busca e apreensão, que resultaram também na interrupção da transmissão de outras emissoras em Indaiatuba, São João da Boa Vista, Capivari, Várzea Paulista, Vinhedo e Campo Limpo Paulista.
Por que tanto esforço em calar as rádios comunitárias e livres? Por que será que elas ameaçam tanto? Será porque muitas não têm apoio comercial, nem estão ligadas a grupos políticos que têm interesse em manter tudo do jeito que está? Será pelos questionamentos que fazem? Será pela possibilidade de dar espaço a quem normalmente não é consultado e é criminalizado pela mídia comercial?
[Com informações do Observatório do Direito à Comunicação]