Na minha história
existe o paradoxo do homem disperso

Enquanto o sorriso brilhava
no canto de dor
e as mãos construíam mundos maravilhosos

John foi linchado
o irmão chicoteado nas costas nuas
a mulher amordaçada
e o filho continuou ignorante

E do drama intenso
duma vida imensa e útil
resultou a certeza

As minhas mãos colocaram pedras
nos alicerces do mundo
mereço o meu pedaço de chão.

Poema de Agostinho Neto, poeta angolano, militante do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e primeiro presidente do país. Neste poema, escrito na época em que Angola ainda era colônia de Portugal (a independência foi em 11 de novembro de 1975), o autor canta as dores da opressão sobre os negros de todo o mundo, e a certeza de que merecia e um dia teria seu pedaço de chão. Dedicou sua vida à luta contra a presença colonial, e escreveu poemas em que expunha a voz de toda uma geração que manteve acesa sua Confiança na revolução.