[Por Virgínia Fontes] Em todo o país, mulheres trabalhadoras saíram às ruas. O dia internacional da mulher assumiu sua verdadeira face: mulheres campesinas de norte a sul, organizadas e mobilizadas, usaram as mãos, a voz e seus corpos para apresentar, a todos nós, alguns locais – e são tantos e tantos! – nos quais enormes atrocidades são realizadas diariamente.
Arrancaram a máscara da propaganda que envolve grandes empresas e falsifica o mundo para trazer à tona a verdade de uma Vale do Rio Doce, de uma Votorantim, de uma Aracruz, que devastam sem piedade gigantescos territórios e as vidas das populações;
(…)
A voz verdadeira dessas mulheres rompe o tom monocórdio de uma grande mídia cujos proprietários continuam com seu pensamento único, o da defesa da grande propriedade, rural e urbana. Essa mídia apenas alterou o tom da fala única neoliberal para recriar uma fala única sobre a crise(…)
A voz de mulheres que exigem o direito à luta entoa um canto onde ressoa a possibilidade de uma humanidade plena, rasgando o ar contaminado de sujeição e mostrando o quanto a vida plena depende dessa luta.