[Por Silvana Sá] A passagem do príncipe Charles pela Maré provocou uma arrumação na casa para, literalmente, inglês ver. Ruas limpas, mato aparado… até as carcaças de carros roubados, abandonadas há anos nas ruas da Nova Holanda, comunidade visitada, foram retiradas.
Por onde a comitiva real passou só encontrou alegria, irreverência, samba e capoeira. Nada de tráfico, nada de crianças descalças, nada de lixo, bueiros entupidos. As solicitações e reclamações dos moradores foram milagrosamente atendidas em apenas 24h.
O que nos leva a crer que o poder público só não resolve as questões sociais porque não quer. Nenhuma outra explicação adicional é necessária. A “vossa alteza real” veio, viu tudo bonitinho, organizado. Tocou o chocalho dos ritmistas da escola de samba Gato de Bonsucesso. Viu mulatas sambando e rebolando na sua frente. Visitou o projeto social Luta pela Paz, do também inglês Luke Dowdney, e foi embora como todo e qualquer bom turista.
Sua visão continua sendo a de uma colônia que faz festa e arruma a casa para o dono chegar. Nada a mais e nada a menos.