Na ocasião do lançamento do filme Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, há uma orquestração de toda a mídia empresarial/ comercial de louvação à figura do cantor. Vale a pena acompanhar a futrica. O que você não vai ler nunca na chamada “Grande imprensa”, ou seja, a mesma mídia que preparou e apoiou o Golpe e a Ditadura de 64, é o que saiu na própria Folha de S.Paulo em 30 de março de 2008. Veja como hoje é lembrado o cantor, e como em 2008 a própria Folha o definia.

Maio de 2009: a FSP entra na campanha geral de encobrir quem foi Simonal.

No texto com o título épico “Simonal refaz saga do cantor”, entre outras coisas, a FSP escreve: “Aconteceu no final de 1971. Por suspeitar que estivesse sendo roubado, o cantor teria mandado bater no contador de sua empresa. Só que o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado. Não demora até que os jornais liguem as pontas – não necessariamente cobertos de verdade – e publiquem a manchete: O cantor Wilson Simonal é informante dos órgãos de segurança do Estado…”

Março de 2008:  Parece ter desaparecido no espaço o texto de Mário Magalhães, quando era ombudsman na Folha de S.Paulo, em 30 de março de 2008:

“A verdade: em 1974, Simonal foi condenado por surra dada em um contador. No processo, levou como testemunha sua um detetive do Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara. Ele assegurou que o cantor era informante do Dops. Outra testemunha de defesa, um oficial do 1º Exército, jurou que o réu colaborava com a unidade. O juiz sentenciou: Simonal era `colaborador das Forças Armadas e informante do Dops´. Em 1976, acórdão do Tribunal de Justiça do RJ reafirmou a condição de `colaborador do Dops´. Não foram inimigos que inventaram a parceria com o regime, exposta sem reservas pelos amigos de Simonal, que se dizia ameaçado por gente ligada `a ações subversivas´.”