Na madrugada de quinta-feira, 17 de setembro, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o texto da Lei de Radiodifusão que havia sido proposta por Cristina Kirchner. O projeto é visto pela oposição e pelas empresas de comunicação como uma tentativa de controle da imprensa por parte do governo. Já o governo e os movimentos sociais avaliam o texto como uma forma de democratizar a comunicação no país. O projeto segue agora para avaliação do Senado, onde o Governo prevê aprovação.

Essa lei é a causa do conflito recente que tomou as páginas dos principais jornais entre o Grupo Clarín e o governo da Argentina. Desde o envio da proposta, nas últimas semanas, aumentou a temperatura do confronto entre os principais conglomerados da mídia. O professor Dênis de Moraes, do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF(RJ), diz que essa situação já era previsível.
Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, do Blog Conversa Afiada, Dênis de Moraes ressaltou que esse projeto muda radicalmente a concentração da mídia na Argentina. Como ele diz, a proposta foi elaborada de maneira democrática em assembleias populares. Entre as medidas propostas, há a proibição de um mesmo grupo empresarial concentrar atividades nos diferentes meios de comunicação – jornal, rádio, TV, revistas e internet. Também há a limitação ao número de emissoras de TV e rádio que cada grupo poderá manter.