Por Tânia Trento

Pesquisa do Instituto Futura (http://www.futuranet.ws), publicada dia 28/09/2009, mostra que para os capixabas o lucro das empresas tem uma função iminentemente social de trazer benefícios à população. “O lucro que move a geração de novos investimentos é desconsiderado”. Para 49% dos capixabas, as empresas existem para gerar empregos. Outros 20% acham que a missão delas é ajudar no desenvolvimento do país. E para 11% dos entrevistados, elas servem para aliar crescimento à justiça social. Somada a essa visão de que as empresas têm funções exclusivamente sociais, chega a 80%. Apenas 5% dos capixabas acham que a função das empresas é dar lucro”, como diz o programa da Futura, veiculado na Rádio CBN.

 

Três conclusões podem ser feitas diante do resultado dessa pesquisa: 1) que a população estaria sofrendo de uma miopia coletiva; 2) que o Marketing social das empresas é pra lá de porreta e 3) que o Estado está ainda muito longe de desempenhar o seu papel de provedor das políticas públicas, já que as pessoas acreditam que a ArcelorMittal (ex-CST), Fibria (ex-Aracruz Celulose) ou Vale, por exemplo, fazem mais por elas do que os governos. Como geradoras de poluição e causadoras de doenças, certamente estão fazendo.

 

Quanto à miopia coletiva, a própria pesquisa explica: “A concepção de que a principal missão de uma empresa é ser lucrativa é maior entre os entrevistados que possuem nível fundamental (8,7%) e vai diminuindo à medida que aumenta o nível de escolaridade (apenas 1,9% dos entrevistados que possuem nível superior citam esse ponto). Quando analisamos a partir da classe social, gerar empregos ainda permanece como o item mais destacado, embora em menor grau para a população de classe A/B. Contrariamente, é nesta classe que os fatores ‘ajudar o desenvolvimento do país’ e ‘aliar crescimento a justiça social’ apresentaram maiores índices (respectivamente 28,2% e 21,8%)”, diz o texto que explica a pesquisa. Esta lá no site www.futuranet.ws

 

Ou seja, nossos técnicos e profissionais, apesar da educação que receberam, tiveram o senso crítico, abduzido. É bom lembrar que isso se deve à “lavagem cerebral” que as empresas fazem por meio de seus programas de produtividade, cumprimento de metas e resultados, meio ambiente, segurança e saúde, cujo objetivo é transferir para o empregado a responsabilidade social que são das empresas.

 

Realmente não vivemos uma crise econômica do capitalismo, oriunda da ganância de especuladores pelo LUCRO. Isso deve ser um filme, uma minissérie da Globo.

 

Se o Instituto Futura publicasse uma pesquisa com os empresários, o resultado seria um contraste, pois “os presidentes de empresas colocam o lucro em primeiro lugar, com 82% de citações”, conforme pesquisa publicada na revista Exame (“O estigma do lucro”, Revista Exame, 30 de março de 2005, pp. 20-25).

 

A razão de ser da empresa é produzir lucros e fazer com que seus acionistas enriqueçam. A missão da empresa é produzir e distribuir bens e serviços bem como explorar a mão de obra, visando o seu crescimento econômico. É a essência do capitalismo. É só ler Karl Max.

 

No sistema capitalista não há espaço para o enfoque social. Observe que a ArcelorMittal, a Vale, a Aracruz Celulose fazem toda uma propaganda para melhorar a sua imagem, para convencer você de que elas querem ver o mundo mais bonito.

 

O sistema que a sociedade definiu para a operação das organizações produtivas é o da livre iniciativa em regime de competição econômica. Só, somente. Chega de ilusões!

 

Faltou perguntar aos entrevistados capixabas em que regime econômico eles vivem. Ufa!