Continua bastante atual o tema da dissertação de mestrado A Construção do Silêncio: A Rede Globo nos Projetos de Controle Social e Cidadania (1970 / 1980), defendida por Sônia Maria Wanderley, na UFF, em 1995. Na pesquisa, Sônia mostra que a televisão foi o meio eleito pelas forças do golpe de 1964 como o mais eficiente para fazer chegar à população o modelo de sociedade que pretendia construir. Tendo por base a análise de diversas reportagens, a autora procurou estabelecer um paralelo entre o nascimento da Rede Globo e a Ditadura Militar, com seu “projeto de modernização conservadora e de integração nacional”.

Para fundamentar a análise, foram utilizadas basicamente notícias divulgadas pelo então recém criado Jornal Nacional. A pesquisa foca nas reportagens relativas ao movimento de greves dos trabalhadores “pela sua importância no cenário nacional a partir de 1978”.

A autora explica que a possibilidade de radicalização dos metalúrgicos e dos bóias-frias colocou esses grupos como alvos das principais notícias. Ela analisou cerca de 250 reportagens sobre os movimentos grevistas de metalúrgicos e movimentos de trabalhadores rurais, entre 1979 e 1989. Sônia chegou à conclusão de que novos significados haviam sido criados para as greves. “A Rede Globo utiliza todo seu aparato técnico-discursivo para descaracterizar a greve como resultante de conflitos sociais. Na verdade, precisa-se de uma versão que despolitize os movimentos, respondendo, porém, ao crescente desejo da sociedade por informações”.

Ela chama atenção ainda para o texto do noticiário.  “A rua, a reunião pública e mesmo o sindicato parecem espaços dos outros, nunca são valorizados pelas imagens. Quando aparecem no telejornal, estão relacionados à desordem, à rebeldia, ao perigo. Espaço onde não cabe o cidadão comum, aquele que assiste e tem a televisão como sua principal escola de cidadania”.
A dissertação é concluída ao mostrar que prevalece não o olhar do trabalhador sobre a greve, mas sim, um olhar externo construído para controlar  as possibilidades do movimento.

[Fonte: FNDC]