Por Sheila Jacob


Nesta quarta-feira, 4 de novembro, cerca de mil pessoas se reuniram na Comunidade Vila Autódromo para denunciar suas preocupações em relação à ameaça de despejo dos moradores do local feita pela Prefeitura. Lideranças de diversas comunidades e representantes do poder público estiveram presentes para reafirmar o direito à moradia de todos os presentes. Os vereadores Reimont e Eliomar Coelho estiveram presentes, assumindo seu compromisso junto à população local.

Conforme Jane Nascimento havia informado ao BoletimNPC, os moradores da comunidade, que fica em Jacarepaguá, temem a expulsão e demolição de casas para que sejam realizadas as obras para as Olimpíadas. Os moradores ficaram sabendo sobre os planos de remoção a partir de declarações do prefeito do Rio, Eduardo Paes, à imprensa. Em entrevista coletiva, logo após o anúncio de que o Rio será sede dos Jogos Olímpicos de 2016, Paes afirmou que a comunidade da Vila Autódromo será removida para ser construído o Centro de Mídia do evento.

Na Assembléia realizada dia 4 de novembro, André Araújo, representante do Conselho de Cidadania do Alto da Boa Vista (Conca), lembrou que os jornais comerciais têm anunciado que a Vila Autódromo será removida. Ele lembrou a importância das rádios comunitárias na contramão desse discurso, pois a sua programação tem privilegiado entrevistas com lideranças preocupadas com as ameaças de despejo.

 

 

Defensoria pública assume compromisso junto aos moradores da Vila Autódromo

 

Todos esperavam ansiosos pela chegada da defensora pública Maria Lúcia Pontes, do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria do Rio. Ela disse que é cada vez mais necessária a organização e mobilização dos moradores e de outras comunidades na defesa do Direito à Moradia, pois a ameaça de remoção da Vila Autódromo atinge as demais. Maria Lúcia informou ainda que a Defensoria Pública fará todo o possível para atender  e defender os moradores. Os defensores públicos Eliete Jardim e Alexandre Mendes também estiveram presentes. Mendes disse que o ano que vem será o mais difícil por causa da definição dos projetos para as Olimpíadas. Ele disse ser necessário não apenas impedir que a comunidade seja removida, mas também pensar e defender projetos de melhoria para a comunidade.

Está prevista uma reunião com o secretário estadual de habitação, Leonardo Picciani, e também com o presidente do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (ITERJ), Leonardo Azeredo dos Santos.  Uma assembleia foi marcada para o dia 18/11, quarta-feira, às 19h, para ouvir as indagações e opiniões dos moradores.