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Walter M. Salles e MC Leonardo, no debate de encerramento do 15° Curso Anual do NPC

 

No encerramento do curso, dia 15, foi exibido o filme Linha de Passe no Cinema Odeon, na Cinelândia. Após a sessão, foi realizado um debate com o diretor do longa, Walter M. Salles; o economista João Pedro Stédille, do MST; o deputado estadual (Psol/RJ), Marcelo Freixo; e MC Leonardo, presidente da ApaFunk.

 

Para Stédile, o filme tem um papel importante, pois nos leva a refletir sobre os problemas da sociedade, mostrando que não existem saídas individuais no capitalismo. O líder do MST, apoiado na experiência das lutas do Movimento, reafirmou que só soluções coletivas, quando as pessoas se organizam e tratam de mudar a sociedade em que vivem é que podem construir um outro País. Marcelo Freixo lembrou a reprodução do medo pela mídia comercial em relação à pobreza e à periferia, o que justifica a violência do Estado. Ele fez uma provocação aos jornais sindicais: “Qual o espaço que a mídia sindical tem dedicado aos Diretos Humanos?”.

 

Walter Salles contou que, quando foi filmar Diários de Motocicleta, em 2004, encontrou as mesmas contradições e dificuldades de que Che Guevara e Alberto Granado falavam 50 anos antes. Ele lembrou que o discurso da criminalização, do medo e da violência ultrapassa as fronteiras do Brasil. Citou, como exemplo, os discursos de Sarkozy contra a periferia, na França, e a época de caça às bruxas, nos anos 1950, nos Estados Unidos, contra os comunistas. Por fim, MC Leonardo lembrou o próprio preconceito reproduzido em relação ao funk, e reconheceu a importância do curso como um espaço em que se reconhece esse discurso criminalizante, estimulando a mudança dessa prática. E encerrou o debate com uma bela apresentação do funk “Tá tudo errado”, encantando toda a plateia que lotou o Cinema Odeon.