livroDe que forma os trabalhadores brasileiros foram retratados pela literatura de ficção ao longo do tempo? Que identificações e compromissos os escritores assumiram com os trabalhadores, suas organizações e lutas? De que forma a opção política combinou com as orientações estéticas na obra dos escritores que assumiram uma militância de esquerda? Que reações essa militância literária poderia provocar? A publicação Livros vermelhos: Literatura, trabalhadores e militância no Brasil (Bom Texto) procura responder essas perguntas por meio da combinação entre as abordagens de uma história social do trabalho, em constante processo de renovação, e um entendimento de história da cultura que procura situá-la como parte da vida social material.
Os artigos abordam temas como os trabalhadores na literatura de viajantes da primeira metade século XIX; o samba A favela vai abaixo, de Sinhô; o Parque industrial, de Patrícia Galvão; a peça “O rei da vela”, de Oswald de Andrade; o engajamento político nas obras de Graciliano Ramos e de Jorge Amado; a “utopia estético-política” de Mário Pedrosa; Ênio Silveira, o editor militante; e os livros apreendidos pelo DOPS-RJ. O professor do Departamento da UFF, Marcelo Badaró Mattos, é o organizador do conjunto.