[Por Leonardo Martins Barbosa*] À semelhança do que ocorreu em 2006, a grande imprensa brasileira assume uma postura clara de apoio à candidatura do PSDB à presidência da República. Essa preferência partidária manifesta-se não por meio de editoriais, mas sim por meio da construção de uma agenda e de um imaginário que têm o objetivo de alavancar a referida campanha. A submissão do noticiário a esse projeto rebaixa a qualidade da cobertura jornalística a um segundo plano e inibe a politização das eleições.

Neste ano, o tema da corrupção é o que melhor se adéqua a essa agenda. Prova disso é a forma leviana com a qual o mesmo é abordado, sem a complementação de debates minimamente sérios que procurem pensar as origens ou mesmo o que é o problema da corrupção no Brasil. Ficamos restritos, desse modo, à imagem do bem contra o mau, que se adequaria melhor a contos de fadas do que às páginas de um jornal. O país fica, assim, sem um espaço público de grande amplitude em que relevantes temas nacionais possam ser discutidos. A construção de espaços com esse propósito – e não uma simples inversão da situação – é uma tarefa urgente para que nossa democracia continue a se aperfeiçoar.

[Leonardo é historiador, com mestrado defendido na PUC-RJ]