
[Por Claudia Santiago] A culpa pode não ser toda de Fidel, mas ele com certeza tem a sua parcela de responsabilidade nas profundas mudanças que ocorreram na vida de um casal francês de classe altíssima, no início da década de 70. Sob o impacto do assassinato do cunhado Quino pela ditadura de Franco, na Espanha, e a chegada da irmã e da sobrinha como mais uma entre os tantos exilados de Paris, os pais da menina Anna, a protagonista, decidem virar sua vida de baixo para cima. A pequena Anna vai ver todos os valores com que convivia até então serem questionados pelos pais e pelos “barbudos comunistas” que passam a freqüentar a sua pequena nova casa onde organizam a solidariedade aos países que lutam contra as forças da direita e, especificamente, ao governo de Salvador Allende.
Julie Costa-Gavras honra o sobrenome e trata com extrema delicadeza e eficácia assuntos que vão desde relações familiares, solidariedade, tolerância, aborto, ditaduras, burguesia, catolicismo, capitalismo e comunismo. Tudo isto através dos olhos da fantástica Anna (Nina Kervel-Bey). O filme é ótimo. Eu já vi duas vezes. Se tiver oportunidade, não perca. A gente sai do cinema com orgulho de ser de esquerda e acreditando que a vida pode ser bela. E de quebra ainda mata saudades de Stefano Accorsi. Lembra-te do Maia de Capitães de Abril?