Autor: Luisa Vieira

O Rio sob Estado de sítio?

Está na hora das universidades se posicionarem contra a criminalização de movimentos sociais e de manifestantes. A questão não é apoiar ou não black blocs ou outros movimentos. A questão é se posicionar diante dos ataques à constituição e das suspensões de direitos que essas prisões em massa representam. Semana que vem a cidade estará sitiada por causa do leilão de Libra. Ano que vem a Copa pode ser mais uma desculpa para vivermos um estado de sítio. Até que estejamos todos sitiados e cerceados em nossas liberdades básicas. Ou nos posicionamos agora contra isso ou ficará cada vez mais difícil reagirmos. Por Adriana Facina (professora do Museu Nacional)

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Todo mundo falando do pesquisador da Fiocruz, do professor, do jornalista preso…. Quero falar desse menino aí, da foto.

Até o acampamento que a rede municipal fez na calçada da câmara, eu nunca tinha visto seu rosto. Nunca o vi nas reuniões do meu partido, do meu sindicato, nada. Mas ele apareceu lá no acampamento, ofereceu ajuda, convidou para participar do debate que iria ocorrer no acampamento “vizinho”. Chegou a oferecer a sua barraca para os professores que não estavam preparados para passar aquela madrugada fria lá na Cinelândia.

Dias depois eu o reencontrei na Alerj. Foi lá prestar solidariedade aos profissionais da educação da rede estadual. Se apresentou como Bruno e cantou um funk onde criticava o governo estadual.

Seu corpo franzino e a pele negra me faziam lembrar os capitães de areia. Taí, ele poderia ser o Pedro Bala. Ou o Dom Quixote do centro do RJ. A partir daí passei a reconhecê-lo, lado a lado, nas ruas. Bruno poderia ser meu aluno, ou meu parente. E agora eu, a caminho, do trabalho, não consigo parar de pensar nesse companheiro, que está preso, porque ousou estar nas ruas lutando também para me defender. Bruno não me conhece. E por isso talvez não saiba a lição que está me dando. – Lidiane Lobo (professora)

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Brasileiro fala sobre black blocs à rádio da Universidade Nacional de Colômbia

Os nossos black blocs ultrapassam a fronteira do País e já são objeto de interesse em outros países da América Latina. A rádio daUniversidade Nacional de Colômbia entrevistou, nesta semana, Felippe Ramos, diretor doInstituto Surear, sobre o movimento que surgiu no Brasil com as manifestações de rua de junho último. Ele faz uma avaliação sociológica sobre os jovens que estão nas ruas, com os rostos cobertos (ou protegidos), protestando contra a violência policial, segundo Ramos.

O especialista em Relações Internacionais e mestre em Sociologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), explica que os black blocs surgiram, no mundo, como uma tática de confrontação contra os agentes da ordem, no caso, a Polícia. Eles não são um movimento organizado com objetivos muito claros. No caso do Brasil, nos atos de junho último, a polícia usou de violência contra os manifestantes pacíficos. Em consequência, por meio das redes sociais, grupos juvenis se organizaram para ir às ruas para enfrentar a repressão. “É uma resposta à violência policial que aconteceu no país”, observa.

Ramos fala, ainda, sobre a inclinação política dos integrantes do movimento, dos Ninjas (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) e também do vácuo político deixado por partidos brasileiros que se institucionalizaram e deixaram a organização orgânica dos movimentos sociais e populares.

A entrevista tem pouco mais de 10 minutos e está fácil de ser entendida mesmo que na língua espanhola. Ouça aqui. Por Rosângela Ribeiro Gil.

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