Alguns de nós tiveram a alegria de assistir a peça “O círculo de giz caucasiano”, de Brecht. Por várias razões a recomendamos. Uma delas é que, no programa da peça, há uma passagem em que as palavras de Brecht lembram um certo italiano e sua obsessão por textos curtos. A peça estreou em 1953. Na ocasião um trecho dela foi cortado. Durante os ensaios, Brecht, autor alemão foi questionado por um dos atores, que achou o corte prejudicial ao espetáculo. A resposta de Brecht foi direta e nos ensina muito sobre como escrever sem ser enfadonho, longo demais:  

“Quando se corta algo, tem-se que entregar algumas coisas. Ali se tem uma certa perda, é verdade. Não se pode comer o bolo e guardá-lo. É claro que se tem que cortar algo. Em todas as coisas não se podem estabelecer princípios rígidos. Não é verdade que as pessoas vêm ao teatro por causa do teatro. Na realidade é o contrário. Temos pensar sempre que as pessoas tiveram um pesado dia de trabalho. Só quando tivermos uma jornada de trabalho mais curta – por exemplo, 6 ou 4 horas – estaremos em condições de ver peças mais longas”.

(Por Sérgio Domingues)