
O jornalista e diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, abriu o 14º Curso Anual do NPC na mesa A Comunicação do Império e a Resistência dos Movimentos Sociais, no dia 20. Para Ramonet, a censura é uma realidade na imprensa, não mais pela figura de um censor que impede que informações sejam publicadas, como foi bastante comum na ditadura civil-militar brasileira, mas sim pelo excesso de informações.
“O que acontece é uma asfixia. Estou saturado de informação e por isso não vejo a informação que falta”, explica o jornalista. De acordo com Ramonet, esse é um tipo de censura, e o resultado é a pouca informação sobre as lutas sociais e os processos de transformação, ou seja, uma informação deformada.
Ramonet comentou também sobre os jornais que são distribuídos gratuitamente, ou os próprios canais de televisão pelos quais não se paga diretamente. Para ele, esses meios colocam em perigo a qualidade da informação porque como são difundidos gratuitamente, não querem gastar muito dinheiro para produzir as notícias.
“O que ocorre é que essas mídias não vendem a informação, mas vende os leitores aos anunciantes. Quando eu consumo essa informação, na verdade eu estou sendo vendido”, reflete Ramonet.
O diretor do Le Monde Diplomatique foi entrevistado e veiculado, no dia 20, diretamente do 14º Curso do NPC, para o programa Brasil Nação, gravado pela TV Educativa do Paraná. O programa é apresentado pelo jornalista Beto Almeida. Os entrevistadores, além do Beto, foram os jornalistas Maria Inês Nassif, do jornal Valor Econômico, e Marcelo Salles, do jornal Fazendo Media e da revista Caros Amigos.
Vinte jornalistas da mídia alternativa e sindical também acompanharam a gravação do programa e puderam fazer perguntas a Ignácio Ramonet.
Confira as perguntas e respostas feitas a Ignácio Ramonet durante o programa Brasil Nação em nossa página.