Ligo para Charles Dickens, no momento mora em Bath, pronuncie Baaaaaaft, cidadadezinha palladiana, os grandes arquitetos ingleses de 1700 são filhos ou netos, e mesmo bisnetos, do quinhentista Palladio. Ocorre que há cerca de um mês enviei ao autor de Os Cadernos Póstumos do Clube Pickwick uma coleção de diários nativos, os jornalões. Via Fedex. Pretendia averiguar se os recebeu e que impressão lhe causavam.
Romancista extraordinário, mas na origem jornalista, aos 23 anos contou as aventuras de Pickwick em capítulos publicados pelo jornal em que trabalhava. Concebido o livro como uma telenovela, e ilustrado cada capítulo com uma gravura e toda semana escrito a partir das próprias reações do público, enriqueceu-se pelo caminho com personagens não previstos no início, alguns importantíssimos. Por exemplo, e sobretudo, Sam Weller, o doméstico-secretá
Segue-se o seguinte diálogo.
Eu: Sim, Pott, diretor da Eatansville Gazette.
Ele: Empolados, presunçosos, tortuosos, enfadonhos.
Eu: Além do mais, para piorar as coisas, Eatansville nunca se daria os ares de uma São Paulo, ou de um Rio de Janeiro. Fale-me do resto.
Ele: Em geral, como nobres exceções em uma ou outra página, os jornais são mal escritos, o pessoal tem lida difícil com o vernáculo, parece usar mais os pés que as mãos.
Eu: Bem, o nosso é o país do futebol.
Ele: Diria que não sabem, ou não admitem, que jornalismo pode e deve ter qualidade literária. Não acreditam em narração fluente, na descrição airosa e aguda dos fatos e suas personagens.
Eu: E os colunistas?
Ele: Também ali há exceções. Muitos, no entanto, estão irremediavelmente inclinados a agradar ao patrão em lugar dos leitores, quando não produzem arrazoados incompreensíveis, ao se acharem capacitados ao senso de humor. Ou quando não inventam enredos impossíveis, acusam sem prova, caluniam e por aí afora.
Eu: E as seções de cultura? E as páginas do noticiário internacional?
Ele: Meu caro mister Carta, serei franco: é um jornalismo muito provinciano, sob medida para indigentes.