
[Por Sheila Jacob] A revista literária Claridade foi lançada em Cabo Verde no ano de 1936 por Baltasar Lopes, Manuel Lopes e Jorge Barbosa, na cidade do Mindelo, Ilha de São Vicente. Uma publicação que tinha o “social e o concreto como ponto de partida para um projeto literário e cultural nacional”, nas palavras do professor Manuel Ferreira na apresentação da edição feita em 1986, em comemoração aos 50 anos do seu lançamento.
Como o próprio Baltasar Lopes revela, a revista Claridade estava inserida num contexto de desastres que assolavam o arquipélago na década de 1930. A publicação adotou uma postura contestatória frente à administração colonial, “que ignorava ou violava os mais elementares princípios que regem a vida do homem e do cidadão e salvaguardam a liberdade individual”.
Por meio de poemas, crônicas, contos e artigos, a revista abordou assuntos como o sentimento pátrio; o modo de ser e de estar do crioulo; o conflito interno no homem de Cabo Verde, dividido entre a necessidade de partir e a vontade de ficar; o drama da seca e da fome; a (escassez da) chuva; a solidão da ilha, e o papel do mar em um contexto de constantes emigrações.
O objetivo foi tratar dos problemas vitais do arquipélago e do povo, sendo assim a terra e o homem os grandes protagonistas dos textos. A publicação pode ser considerada como precursora da independência e antecessora das outras manifestações literárias que se seguiram, como a marxista Certeza (1957), Suplemento Cultural (1958), Raízes (1977) e Ponto & Vírgula (1983).