Dois livros publicados em 1959 tornaram-se clássicos na literatura histórica brasileira – Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado, e Rebeliões da Senzala, de Clóvis Moura, modelos de duas formas radicalmente opostas de se considerar aqueles que sofreram a escravidão em nosso país. Celso Furtado, tributário de idéias tradicionais – e mesmo do limitado marxismo brasileiro de então – comparava os escravos dos engenhos de açúcar “às instalações de uma fábrica”, pois eram comprados como elas e sua manutenção representava os custos fixos.