A Câmara de Vereadores do Rio aprovou, no dia 28 de junho, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as remoções. A iniciativa é do vereador Eliomar Coelho (PSOL/RJ), e foi apresentada na Câmara há quase dois meses. O requerimento contabilizou assinaturas de 19 parlamentares, duas a mais do que o necessário para a instalação da CPI. Foi fundamental a pressão das comunidades ameaçadas e de movimentos parceiros. Órgãos internacionais como a ONU, a Anistia Internacional e até o COI já se manifestaram preocupados com as remoções realizadas até o momento pela prefeitura do Rio.  

No dia seguinte, quatro vereadores retiraram o nome da lista e a CPI foi cancelada, embora o regimento da Câmara diga que assinaturas a requerimentos deste tipo não podem ser retirados.  

O objetivo da CPI seria investigar os despejos e reassentamentos forçados ocorridos no Rio entre novembro de 2010 e abril de 2011, por conta de diversas obras viárias e intervenções urbanísticas. A ideia surgiu após indícios de irregularidades e a constatação de alguns crimes executados por agentes públicos municipais. Dentre eles estão os crimes de preconceito contra as religiões de matriz africana e obras executadas em desacordo com a legislação ambiental, como o corredor Transoeste e o Transcarioca. Também entram danos morais e materiais, como a destruição e extravios de bens e pertences de famílias removidas, além de diversos tipos de coerção.