Eles confiavam na Constituição Federal que garante a todos os brasileiros e brasileiras o direito à moradia. Mas foram traídos, como são milhares de brasileiros todos os dias. Em Maio de 2004 teve início um sonho real, uma possibilidade concreta de habitação. O nome da ocupação passou a ser esse mesmo “Sonho Real”, na zona oeste da cidade de Goiânia, capital de Goiás. Segundo noticiou o Centro de Mídia Independente (CMI) na época, rapidamente o número de pessoas no acampamento cresceu e três mil famílias passaram a ocupar o terreno antes abandonado.  

A tentativa de reintegração da posse do terreno baldio aos “donos” não tardou. A ocupação se organizava coletivamente por meio de assembléias e com todas as dificuldades que um movimento desse porte e nessas condições possa ter, mas permaneciam firmes e articulados com outros setores que passaram a apoiar o “Sonho Real”.  

Com muita violência, as famílias foram expulsas do local em 15 de fevereiro de 2005. Os dados oficiais deram conta de dois mortos, mas a ocupação contabilizou mais de vinte. Hoje, muitas daquelas famílias, ainda não tem o direito à moradia garantido, àquelas que ainda permanecem na luta foram recentemente expulsas de uma outra área provisória, conforme noticiou o CMI no último dia 2 de março. Provavelmente muitas se perderam por aí, e talvez tenham perdido também a esperança em uma dignidade possível e de direito. Não podemos deixar escapar da memória esse exemplo de luta e resistência do povo organizado, momentaneamente derrotado.

O CMI cobriu brilhantemente toda a história da Ocupação Sonho Real. Vale a pena conferir em www.midiaindependente.org