[Por Raquel Junia] Era uma manifestação estudantil no restaurante público Calabouço, no Rio de Janeiro, contra o mau funcionamento do local. O estudante Edson Luís tinha 16 anos, paraense e residente no Rio de Janeiro, foi morto a tiros pela polícia. Outros seis jovens ficaram feridos e um deles, Benedito Frazão Dutra, faleceu pouco tempo depois. Os estudantes transformaram a revolta pela morte de Edson Luís em ação. Não permitiram que o corpo ficasse no IML e o levaram à Assembléia Legislativa para ser velado publicamente coberto pela bandeira do Brasil.
A missa de sétimo dia da morte de Edson Luís encheu a Igreja da Candelária e a repressão não tardou. As conseqüências não foram mais graves devido a um cordão de isolamento feito por religiosos. A consternação pela morte do jovem, a repressão crescente promovida pela ditadura civil-militar e a ausência de direitos fundamentais como o acesso à educação cresceu e tomou as ruas. Menos de um mês depois, em 28 de março, aconteceu a Passeata dos Cem Mil.
O assassinato de Edson Luís é um importante marco na luta dos estudantes. Naquela época, protestavam também contra a privatização da universidade pública e por um ensino de qualidade em todos os níveis. Os estudantes de hoje seguem na mesma luta, com alguns inimigos comuns e outros novos, mas com práticas antigas. O 28 de Março é sempre marcado como um dia de protestos dos estudantes secundaristas.
[Raquel Junia é estagiária do NPC e faz parte do DCE da UFF)